Rio se despede de Maria Prestes no Palácio Tiradentes

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Sob canto do hino ‘A Internacional’ e entre aplausos, o corpo de Maria do Carmo Ribeiro Prestes, de 92 anos, foi velado na manhã deste domingo (6/2), no salão nobre do Palácio Tiradentes, antiga sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O local foi o mesmo onde seu companheiro, o ex-senador e líder comunista Luís Carlos Prestes, foi velado em 1990. Mais de cem pessoas, entre familiares, amigos, políticos e representantes de movimentos sociais, foram se despedir da militante revolucionária, que deixa sete filhos, 23 netos, 23 bisnetos e um importante legado para a história política do Brasil.

A homenagem foi proposta pela deputada Enfermeira Rejane (PCdoB), com apoio do Conselho Estadual dos Direitos das Mulheres (Cedim-RJ). Rejane, que representou o presidente da Casa, André Ceciliano (PT), na cerimônia, destacou o simbolismo do ato. “Maria Prestes representa aquela mulher guerreira, camarada, sensível. A Alerj abriu as portas para que essa guerreira fosse velada num espaço democrático, de luta, do povo. Nada mais justo que essa última homenagem fosse feita aqui”.

O deputado Waldeck Carneiro (PT) também esteve no local para prestar sua última homenagem àquela que, segundo ele, não foi apenas a companheira de Prestes por 40 anos. “É bom que ela seja lembrada também pelo seu próprio protagonismo, como grande liderança, articuladora e lutadora pela emancipação do povo trabalhador, no Brasil e no mundo, e também para o movimento organizado das mulheres. A gente perde uma grande lutadora, uma mulher combativa, aguerrida, com grande capacidade de formulação”, disse o deputado.

Luiz Carlos Prestes Filho agradeceu a homenagem da Alerj. “O Brasil perde uma mulher que a vida inteira lutou pela democracia e pelo socialismo. Portanto, é muito simbólico que o presidente da Assembleia Legislativa tenha tomado uma atitude tão correta de realizar o velório da minha mãe no mesmo local onde meu pai foi velado. Esse ato tem um significado, uma mensagem muito grande para o Brasil e todos aqueles que continuam a luta pela igualdade, pela fraternidade, pela liberdade”, declarou.

Exaltação à memória

João Prestes falou da emoção dupla ao reviver o velório do pai no mesmo espaço, também aos 92 anos. “É um momento muito triste, mas ao mesmo tempo uma história que fica. Os dois vão sempre seguir como exemplo de luta, de firmeza de caráter e de esperança de um mundo melhor”.

Mariana Prestes falou da gratidão se ser filha de pais que deixam um legado de luta, de garra, de resistência. “Que a gente que fica nesse plano possa seguir os passos deles e continuar a luta por um país mais justo, igualitário e solidário para todo o povo brasileiro”, comentou.

Netas e netos usavam camisetas com a inscrição ‘Lute como Maria Prestes’ e cantaram uma música criada por elas para homenagear a avó. Yuri Prestes lembrou da origem humilde da mãe e seus ensinamentos: “Uma pessoa que nasceu numa família simples, que veio do campo, que sempre tentou cultivar em nós a simplicidade e respeito aos mais humildes, oprimidos, sempre em defesa dos mais vulneráveis. Uma pessoa que dedicou a vida ao povo desse país”.

O ex-deputado estadual Alexandre Farah, representante da executiva do PDT, lembrou que o partido tem Luís Carlos Prestes como presidente de honra e destacou que Maria tem uma história ao lado do ‘Cavaleiro da Esperança’. “Hoje, nós militantes da democracia estamos muito tristes. Vamos continuar resistindo na luta pela libertação do povo brasileira, contra a miséria, o desemprego e o subemprego”.

Edna Calheiros, presidente do Conselho Estadual dos Direitos das Mulheres do Rio de Janeiro (Cedim-RJ), que militou ao lado de Maria Prestes desde 2011, lamentou a perda da amiga: “Seus conselhos, sua sabedoria, estão enraizados em nós todas. Você foi profundamente solidária e presente nas lutas da casa da mulher”, disse.

Morte por complicações da covid

Maria Prestes estava internada no Hospital Unimed da Barra da Tijuca, na Zona Oeste, desde 20 de janeiro, com complicações decorrentes da covid-19, e morreu na noite de sexta-feira (4). De acordo com o filho, Yuri Prestes, ela havia tomado três doses da vacina contra a Covid-19, mas, um mês antes, teve uma infecção urinária que a deixou debilitada e com a imunidade baixa.

O caixão foi coberto com a bandeira do Movimento Sem Terra, com o qual Maria teve forte vínculo, chegando a visitar inúmeros acampamentos e participar de marchas ao lado dos militantes. Entre as coroas de flores estava a da Beija-Flor de Nilópolis, sua escola de samba do coração. O pastor luterano Mozart Noronha, amigo da família, fez uma breve cerimônia de despedida enaltecendo o papel de Maria ao longo dos 40 anos ao lado de Prestes, citando que ela “pregava o amor”. O corpo seguiu do Tiradentes para a cremação no Cemitério São João Batista, no bairro do Caju, em cerimônia restrita a amigos e parentes.

Quem foi Maria Prestes

Nascida Altamira Rodrigues Sobral, Maria Prestes, como ficou conhecida, era pernambucana, filha de camponeses e ex-militante da Juventude Comunista Brasileira. Segunda mulher de Luís Carlos Prestes, ela o conheceu em 1950 e esteve ao seu lado durante 40 anos.

Por conta do movimento revolucionário, Prestes foi preso, exilado e viveu com a mulher na clandestinidade durante quase dez anos. Após a morte de Prestes, Maria continuou sua luta, apoiando e participando de movimentos sociais, em especial, dos sem-terra, de mulheres e de negros, além da Juventude Socialista.

“Maria Prestes foi uma das mais importantes figuras do movimento da esquerda no Brasil ao longo do século passado. Além de contribuir significativamente para a formulação, articulação e mobilização do movimento de mulheres no Brasil, Maria foi uma das principais responsáveis pela repatriação de uma farta documentação sobre Prestes que estava em território russo, onde o casal viveu, por quase 10 anos, no exílio”, contou Waldeck Carneiro.

O político ganhou o apelido de ‘Cavaleiro da Esperança’ por liderar a marcha conhecida como Coluna Prestes, que percorreu o Brasil entre 1925 e 1927, defendendo a derrubada do governo de Artur Bernardes durante a Velha República. Os militantes exigiam que se estabelecesse o voto secreto, a obrigatoriedade do ensino primário e a moralização da política.

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