Ceciliano apresenta Plano Estadual de Fertilizantes para atrair investimentos para o RJ

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Rio de Janeiro pode ser o primeiro estado do Brasil a ter um plano estadual; medida busca contribuir com redução da dependência internacional em 20% até 2050

O deputado André Ceciliano (PT) protocolou o projeto de lei 5.686/22 para criar o primeiro Plano Estadual de Fertilizantes do Brasil, estabelecendo diretrizes para o desenvolvimento do setor no Rio e ampliando as possibilidades do estado receber parte dos novos parques industriais previstos no Plano Nacional de Fertilizantes do Governo Federal. Recentemente, a guerra entre Ucrânia e Rússia vem impactando a produção agrícola no país – dada a dependência de fertilizantes importados da região.

Um dos maiores produtores de grãos do mundo, o Brasil hoje está em 4º lugar entre os países que mais consomem fertilizantes. Segundo o plano nacional, até 2050, a União pretende reduzir, de 85% para 45%, a dependência da importação – mesmo que a demanda venha a dobrar. Para contribuir com até 20% dessa redução, o Plano Estadual de Fertilizantes vai incentivar a implantação de plantas industriais no estado, promovendo a sinergia com a cadeia de gás natural. Em janeiro deste ano, o Rio de Janeiro foi responsável por 61,3% do gás produzido em todo o território nacional.

“A gente tem a matéria-prima dos fertilizantes nitrogenados, que é o gás, e as instuições científicas necessárias para transformar essa matéria-prima. A gente tem portos, ferrovias e, é claro, um mercado consumidor”, comentou o deputado André Ceciliano. “Hoje, 60% do gás produzido está sendo reinjetado. Nós estamos brigando pela possibilidade de termos um gasoduto no estado, justamente para podermos distribuir esse gás e não precisarmos mais reinjetá-lo”, disse.

A ideia é que o programa promova vantagens competitivas para o estado, melhorando o ambiente de negócios e incentivando a pesquisa e inovação do setor. Capacitar a mão de obra especializada local também é uma das premissas, assim como estruturar um centro de excelência em fertilizantes. Para promover essa iniciativa , o projeto prevê o uso de recursos dos fundos estaduais, incluindo o Fundo Soberano, e o deputado também estuda viabilizar uma doação de R$ 30 milhões economizados pela Alerj para investir no setor.

Potencial fluminense

Em audiência na Assembleia Legislativa, o pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), José Carlos Polidoro, reiterou que Rio tem o maior ecossistema de inovação favorável para a aplicação dessa tecnologia. “Temos universidades, a Faperj e o parque tecnológico da UFRJ. No País, teremos hubs que vão nos conectar com todas as regiões. Por isso, essa é uma grande oportunidade para o Rio”, afirmou.

Já o presidente do Conselho Regional de Química do Rio, Rafael Almada, destacou que o Rio também possui mão-de-obra qualificada. “Dos 216 mil químicos formados no país, 26 mil estão no Rio. Além disso, todas as formações da área química podem ajudar na construção dessa política, principalmente os fertilizantes orgânicos, que têm crescido muito. Temos um papel essencial nessa produção”, disse.

O projeto apresentado por Ceciliano também tem preocupação ambiental, já que incentiva o aproveitamento de lixo urbano para ser usado na indústria. Pelo menos, uma das plantas a serem implementadas no estado deverá ser baseada no uso de hidrogênio, amônia verde e energia limpa.

Política tributária

A medida também prevê uma política tributária especial para o setor, devendo o governo do Estado promover as iniciativas legais para reduzir a alíquota de impostos – em especial o ICMS sobre os insumos utilizados, além de investimentos em tecnologia e infraestrutura. O próprio fertilizante produzido no estado pode ter uma alíquota de ICMS reduzida para ampliar o número se compradores instalados em todo o país. Para ter acesso aos benefícios, as empresas teriam que apresentar um projeto de implantação, ampliação ou modernização de plantas de fertilizantes.

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